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É possível mudar a mente de um psicopata ?

Para melhor entender este artigo, vamos imaginar um cenário. É uma noite de sábado em um bar agitado no centro da cidade. Entediado, Antônio pega a garrafa de cerveja vazia que está na mesa em sua frente e começa a jogá-la de uma mão para a outra.

De repente, a garrafa cai e quebra na mesa, ele se levanta da cadeira e vai até o desconhecido que havia esbarrado nele mais cedo, ferindo-o no rosto com a garrafa quebrada. Um amigo do homem ferido chamado Pedro reage, empurra Antônio e continua o ataque enquanto outros tentam segurá-lo, atraindo mais pessoas para a briga.

Quando a polícia chega, Antônio domina a situação e aparenta tentar acalmar os ânimos, culpando Pedro pela confusão. Quando a polícia tenta prender Pedro, ele explode pela segunda vez e dá um soco no rosto de um policial.

É uma história fictícia, mas serve para ilustrar a diferença entre dois tipos de criminosos na prisão. As características de Antônio são as de um psicopata: frio, calculista, superficialmente charmoso e sem remorsos.

Pedro, por sua vez, exibe sintomas de personalidade antissocial: uma condição caracterizada por impulsividade e agressão. "A típica violência do indivíduo antissocial e não psicopata é causada por emoções fortes e é impulsiva ou reativa", diz Blumenthal.

Há chance de reabilitação ?

Dois homens violentos, duas motivações bem diferentes – mas o sistema criminal de justiça muitas vezes os trata da mesma maneira. Apesar de ambos serem violentos e, portanto, apresentarem um risco à sociedade, com taxas altas de reincidência, isso pode ser um erro. Cada vez mais pesquisas sugerem que seus cérebros funcionam de maneiras bastante distintas. Isso pode significar que eles precisam de tipos diferentes de reabilitação se algum dia forem voltar às ruas.

Com isso em mente, especialistas estão tentando criar novos tratamentos para infratores violentos reincidentes.

O psiquiatra americano Hervey M. Cleckley formalizou o conceito de psicopata em 1941 com seu livro The Mask of Sanity ("A Máscara da Sanidade", em tradução literal), que tinha como base entrevistas com presos em prisões de alta segurança.

A psicopatia é diagnosticada usando uma ferramenta de avaliação que classifica pessoas de acordo com uma série de critérios. Os que estão acima de certo limite são oficialmente classificadas de psicopatas – apesar de a psicopatia ser um espectro e de que a maioria dos psicopatas não são criminosos violentos (aliás, muitos são extremamente bem-sucedidos no mundo dos negócios). No entanto, aqueles que são tendem a ser criminalmente versáteis.

Entre os infratores violentos na prisão, apenas uma minoria pode ser classificada como psicopata. Um estudo britânico recente estima que exista uma prevalência de cerca de 8% dos presos e 2% das presas, outro estima que sejam 31% dos infratores homens violentos e 11% das presas.

Claramente, portanto, a psicopatia não explica todos os crimes violentos. Mas, uma vez que um psicopata esteja na prisão, é importante descobrir como melhor reabilitá-lo: eles têm até quatro vezes mais chances de reincidência do que os não psicopatas.

O transtorno de personalidade antissocial (TPA) é muito mais comum que a psicopatia – afeta entre 50 e 80% da população encarcerada em geral. "Dizem que buscar esse transtorno nas prisões é como buscar 'palha em um palheiro'", diz Blumenthal.

Fonte: G1