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Estádio Monumental de Nunes de Piripiri é destaque no Globoesporte.com

Na zona rural de Piripiri, cidade a 157km da capital Teresina, é o endereço de uma história de futebol raiz. Lá é a casa do Ingazeira Esporte Clube, time de futebol amador que herda o nome do povoado e tem o estádio Monumental de Nunes – xará do gigante Monumental de Núñez, em Buenos Aires, na Argentina – como sede das partidas.

Inspirado livremente nos "hermanos", o "Monumental de Nunes" do Piauí foi comprado há mais de duas décadas pelo contador Antônio Nunes Viana, que juntou dinheiro na época parar adquirir a posse do terreno. Desde então, cuida do local com zelo e algumas regras. Na porteira de entrada, a frase é clara: “Passou, fechou”.

Enquanto o primo rico vai sediar River e Flamengo pela Taça Libertadores, nesta quarta-feira, o Monumental recebe os treinos do 4 de Julho, equipe da Série D do Campeonato Brasileiro, além dos jogos do Ingazeira e de torneios rurais. As arquibancadas não são imponentes, mas bancos de madeira confortáveis. Há vestiário para as equipes – também construídos de madeira – e a regra principal é manter o local limpo. Árvores plantadas no entorno dão sombra, mecanismo natural para suportar o calor.

O Monumental de Nunes é mais novo do que o Núñez argentino, de quase 80 anos. O campo do Piauí existe desde 1964, mas a propriedade foi comprada em 1998. Hoje com 68 anos de idade, Antônio Nunes, dono do local, recorda que o carinho pelo local começou desde quando era criança.

- Nasci na região e jogava bola lá desde os 12 anos de idade, criei uma relação de amor. Era uma propriedade particular, aí fui juntando dinheiro, um troquinho, até que consegui comprar. Não gostaria que aquele espaço (que jogava bola quando criança) se acabasse. Nem me lembro de quanto foi, faz tanto tempo. Pela simpatia no nome do estádio argentino resolvi fazer o Monumental de Nunes, aí tem meu nome (risos). Porque não colocar? – narra o dono do estádio, que nunca conheceu de perto o verdadeiro Monumental.

Nunes explica o porquê de manter o campo de futebol há tantos anos.

-Amo futebol, é perto de casa. Reunimos os amigos, tem a resenha. O time é mais amizade, aqui não têm inimigos, é um ambiente sadio, sem revanches. Sou eu que cuido, vejo os bancos, a limpeza, o material do time – completa.

A principal história do Monumental de Nunes é do Ingazeira, a Águia da Estrada, um time de veteranos fundado no dia 13 de abril de 1964.

- Nossa faixa de idade é a partir dos 40 anos. Não deixamos a desejar, passamos mais de um ano sem perder. E aqui também já jogou o Carlinhos (lateral-esquerdo do América-MG) – alerta Nunes.

Além de cuidar do estádio, Nunes é presidente do conselho deliberativo do 4 de Julho, faz parte da diretoria do clube há 30 anos e fica responsável pela parte burocrática das atividades do Colorado. Pai de dois filhos, ele garante vida longa ao Monumental.

- Não está à venda. Agora assim, quando não poder mais jogar, correr, acho que vou fazer um residencial no lugar. E vai se chamar Residencial de Nunes – brinca.

Fonte: Globoesporte.

 Fotos: Clemilton Silva.