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Piauí registrou mais de 900 casos de hanseníase em 2017

O número de novos casos de hanseníase cresceu no Piauí no ano de 2017. É o que mostra o Informe Epidemiológico de Hanseníase divulgado pela Supervisão de Hanseníase da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi). Os dados apontam que, no ano de 2016, foram registrados 911 novos casos, já em 2017 esse número subiu para 935. Tais dados chamam a atenção para a campanha “Janeiro Roxo”, que alerta para a prevenção no combate à hanseníase.

Embora os dados de 2017 ainda sejam parciais, pois o relatório final só sai em março deste ano, eles mostram que cresceu o número de novos casos da doença. As idades em que a doença se manifesta com maior frequência está em maiores de 15 anos. Em 2016, foram notificadas 57 pessoas com menos de 15 anos, e 854 para idade com mais de 15 anos, somando um total de 911. Em 2017, até o momento, 66 para menores de 15 anos e 869 para idades acima de 15 anos, totalizando 935 casos.

Médico diz que preconceito faz com que pessoas escondam a doença (Crédito: Gabriel Paulino)


De acordo com a classificação Operacional da Hanseníase, foi observado que nos dois anos apresentados a classificação Multibacilar predomina. Mostrando que existem focos da doença em atividade em todo o estado, assim como mostra também a necessidade de maior envolvimento dos serviços de saúde dos municípios em estratégias para o alcance do diagnóstico precoce da doença.

No Piauí, os municípios com maior incidência são Teresina e em seguida Parnaíba. Em 2016, Teresina registrou 329 casos, em 2017 esse número subiu para 385. Em comparação com os anos de 2016 e 2017, Parnaíba teve diminuição no número de casos registrados com 64 para 44. A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, que lesiona os nervos periféricos e diminui a sensibilidade da pele. Geralmente, o distúrbio ocasiona manchas esbranquiçadas em áreas como mãos, pés e olhos, mas também pode afetar o rosto, as orelhas, nádegas, braços, pernas e costas.

Os sintomas incluem manchas claras ou vermelhas na pele com diminuição da sensibilidade, dormência e fraqueza nas mãos e nos pés.

Preconceito ainda prejudica tratamento

O coordenador do departamento de Dermatologia do Hospital Getúlio Vargas, Jesuíto Dantas, explica que o preconceito faz com que muitos pacientes escodam a doença. "Existe uma grande dificuldade, até mesmo do profissional de saúde, em reconhecer e estudar a hanseníase. E existe ainda um certo preconceito em torno da doença, o paciente tende a esconder e sofre calado com a hanseníese. O Brasil tenta alcançar essa estratégia global para hanseníase que seria chegar a menos um caso a cada dez mil habitantes e no Piauí a gente está com 4,7 casos para cada dez mil habitantes. Uma média muito maior que a do Brasil”, analisa.

O tratamento para a hanseníase é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e é feito através de antibióticos. Com devido acompanhamento do especialista, o paciente pode realizar o tratamento em seis meses ou em 12 meses. O Brasil instituiu como meta 2021 para a erradicação da doença causada pelo bacilo Mycobacterum Leprae.

Meionorte.