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Kim quer que Coreia do Norte produza ogivas nucleares e mísseis maciçamente

Seul, 1 Jan 2018 (AFP) - O líder norte-coreano, Kim Jong-Un, pediu nesta segunda-feira a seu país que aumente a produção de ogivas nucleares e mísseis, em uma mensagem de Ano Novo em que demonstrou sua vontade de cumprir suas ambições militares. 

Pyongyang intensificou em 2017 seus programas nuclear e balístico, apesar das múltiplas sanções da ONU e da retórica cada vez mais ameaçadora de Washington. 

Kim Jong-Un, que assegurou ter o botão nuclear em seu gabinete, presidiu em setembro o sexto ensaio atômico norte-coreano, o mais potente até então.

O dirigente, que também supervisionou em 2017 vários testes de mísseis intercontinentais (ICBM), afirmou que seu país era capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos e se transformou em um Estado nuclear. 

"Devemos produzir maciçamente ogivas nucleares e mísseis balísticos e acelerar seu lançamento", declarou Kim em seu discurso anual à nação.

O presidente americano, Donald Trump, respondeu às operações militares norte-coreanas alternando as ameaças -se comprometeu na ONU a "destruir totalmente" a Coreia do Norte em caso de ataque- com os insultos para Kim, que classificou de "pequeno homem foguete". 

Para alguns especialistas, a atitude de Trump pode ter um efeito contrário ao desejado, animando o regime norte-coreano a seguir em frente com seus programas armamentistas. 

A Coreia do Norte "pode enfrentar qualquer ameaça nuclear dos Estados Unidos, dispõe de uma [força de] dissuasão forte e capaz de impedir que os Estados Unidos brinque com o fogo", declarou Kim. 

"O botão nuclear sempre está na minha mesa. Não é chantagem, e sim a realidade", acrescentou, reiterando assim que seu país é um Estado nuclear. 

Essas novas declarações do líder norte-coreano acontecem depois de que um ex-alto-responsável militar americano avisou que seu país nunca havia estado "mais perto" de uma guerra nuclear com a Coreia do Norte. 

A presidência de Trump "é incrivelmente desestabilizante e claramente imprevisível", declarou o ex-chefe do Estado-Maior Conjunto Mike Mullen à rede ABC. 

"Atualmente se está mais perto do que nunca estivemos de uma guerra nuclear com a Coreia do Norte e nessa região", disse Cullen. "E não vejo as oportunidades para resolver isso de maneira diplomática", acrescentou. 

Mullen foi o chefe de Estado-Maior dos presidentes George W. Bush e Barack Obama.

Muitos especialistas opinam que Washington deve dialogar com Pyongyang. Mas a Coreia do Norte quer que os Estados Unidos a reconheça como um Estado nuclear. 

Washington sempre afirmou, por sua vez, que não aceitaria uma Coreia do Norte com arma nuclear e que Pyongyang deveria tomar medidas concretas de desnuclearização antes de qualquer negociação.